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Adoção de IA em corretoras de seguros no Brasil

Adoção de IA em corretoras de seguros no Brasil: o que as seguradoras já fazem, o que muda para o corretor e como a corretora pode começar com governança.

A adoção de IA em corretoras de seguros no Brasil está sendo puxada pelas seguradoras: 80% delas já têm IA implantada, segundo pesquisa da CNseg, e começam a entregar assistentes e atendimento híbrido aos corretores. O que ainda é incerto é o que a corretora, como empresa, deve fazer por conta própria. Este artigo é para donos e diretores de corretoras e para quem decide investimento em operações de distribuição de seguros: mostra o que os dados disponíveis dizem, onde a IA muda a rotina do corretor e como começar sem criar risco com dados de clientes. Para o panorama das seguradoras, veja adoção de IA no setor de seguros brasileiro; aqui o foco é a ponta da distribuição, dentro do hub de como implementar IA na empresa.

O que os dados dizem sobre IA no mercado segurador

O estudo da CNseg, conduzido de outubro de 2025 a janeiro de 2026 com 26 executivos de empresas que representam 50,7% do mercado, e divulgado em 24 de fevereiro de 2026, registrou:

  • 80% das empresas com IA implantada;
  • 69% apontando a integração com sistemas legados como principal barreira à expansão;
  • 84% relatando aumento de receita de até 1% atribuído à IA;
  • produtividade como principal motivação de adoção, citada por todas as respondentes em 2025.

Fonte: Legismap, resumo do estudo da CNseg. Em maio de 2026, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, afirmou que todas as seguradoras brasileiras já têm projetos de IA, em graus diferentes de maturidade, e que o que se vê hoje é "apenas um pequeno vislumbre" do que virá nos próximos cinco a dez anos (CQCS).

Limitação importante: esses números descrevem seguradoras, não corretoras. Não encontramos pesquisa pública robusta sobre o nível de adoção de IA nas corretoras brasileiras; trate qualquer percentual sobre isso com ceticismo e valide com a sua própria operação.

Por que a corretora não pode esperar a seguradora

Os corretores respondem por cerca de 80% das vendas de seguros no Brasil, segundo dado citado pela TNH1 em 2024, e a mesma reportagem contabilizava 131 mil corretores ativos registrados na SUSEP. É uma distribuição fragmentada, em que muitas corretoras são pequenas. Isso importa por dois motivos:

  1. A seguradora vai oferecer ferramentas de IA ao corretor, mas elas servem à seguradora: cotação, suporte e emissão naquele portfólio. Fluxos próprios da corretora (carteira, renovação, relacionamento, multiprodutos) ficam por conta dela.
  2. Quem usa ferramentas de IA de forma individual e sem regras cria o risco que o hub de governança descreve em shadow AI: dados de clientes, incluindo dados sensíveis de saúde, em ferramentas sem contrato.

O que as seguradoras já oferecem ao corretor: o caso Bradesco Seguros e Segura

Um exemplo recente: a Bradesco Seguros e a Segura lançaram o Conecta, modelo de atendimento ao corretor que combina IA (a assistente Helena, desenvolvida pela Segura) com especialistas humanos. Segundo o Lets Money, o serviço passou de 135 para mais de 1.200 corretores atendidos desde março de 2026, com 98,61% das solicitações resolvidas pela operação integrada, segundo os números divulgados pelas empresas. A Segura justificou o modelo com uma pesquisa com mais de 2.700 corretores, na qual mais de 75% apontaram o suporte e o atendimento das seguradoras como principal dificuldade do dia a dia.

Dois pontos para a corretora: a IA entra primeiro no suporte ao corretor, não na venda; e o desenho é híbrido, com humano no circuito. Os números são autodeclarados pelas empresas e não foram auditados.

Onde a IA muda a rotina da corretora

Processo Uso de IA Risco a controlar
Atendimento e primeiro contato Respostas a dúvidas, triagem, agendamento Resposta errada sobre cobertura; veja agentes de voz no atendimento
Cotação e comparação Leitura de propostas, coleta de dados, comparação entre seguradoras Erro de dado na proposta; revisão humana obrigatória
Renovação e carteira Priorizar renovações, identificar oportunidades de venda cruzada Contato indevido; base legal e consentimento
Sinistro Orientar o segurado, organizar documentos Promessa de cobertura que a seguradora não confirma
Backoffice Resumir apólices, conferir endossos, preencher formulários Dado pessoal em ferramenta não contratada

Esse padrão — ganho concreto em tarefa repetitiva, risco concentrado em dado pessoal e promessa de cobertura — também aparece em adoção de IA no setor financeiro.

O corretor continua indispensável, mas a função muda

A reportagem da TNH1 registra a posição da ENS: a máquina não substitui o profissional capaz de entender as necessidades de cada cliente. O presidente da CNseg também defende a tecnologia como apoio às pessoas. A leitura prática é que a IA absorve a parte mecânica (coleta, comparação, preenchimento, lembretes) e o valor do corretor migra para aconselhamento, relacionamento e gestão de carteira. Isso é uma hipótese razoável, não um resultado medido: o impacto sobre o emprego de corretores não tem dado público conclusivo.

Como uma corretora começa: roteiro em cinco passos

  1. Mapeie onde a equipe já usa IA. Pergunte, sem punir. O uso informal existe em quase toda operação; veja por que projetos de IA falham quando o uso não é estruturado.
  2. Escolha um processo com dor mensurável, por exemplo o tempo entre a cotação e a proposta, ou a taxa de renovação, e meça a linha de base.
  3. Defina regras de dados. O que pode ir para uma ferramenta de IA e o que não pode (dados de saúde, documentos pessoais). Isso conecta com LGPD e IA generativa.
  4. Faça um piloto pequeno com um responsável e prazo, e decida com base no resultado, como em roi de inteligência artificial.
  5. Capacite a equipe. Ferramenta sem treino gera uso irregular. Para corretoras pequenas, a escala é diferente, o que o artigo adoção de IA em PME versus grande empresa discute.

Regulação e responsabilidade

O corretor responde pela orientação que dá ao cliente, venha ela de um humano ou de um assistente. A SUSEP regula o setor, e o debate sobre o marco legal da IA no Brasil avança; acompanhe o Marco Legal da IA (PL 2338). Enquanto isso, o que está em vigor é a LGPD: base legal para o tratamento, minimização e segurança dos dados dos segurados. Nenhuma ferramenta de IA elimina a responsabilidade da corretora sobre o que foi dito ao cliente.

FAQ

Como a IA está sendo usada por corretores de seguros?

Em atendimento, comparação de cotações, organização de documentos, renovação e backoffice. As seguradoras também lançam assistentes de apoio ao corretor, como o Conecta, da Bradesco Seguros com a Segura.

A IA vai substituir o corretor de seguros?

Não há evidência pública de substituição. A tendência apontada pelo mercado é a automação das tarefas mecânicas e a valorização do aconselhamento e do relacionamento, mas isso ainda é uma projeção.

Quantas seguradoras no Brasil usam IA?

Segundo a CNseg, 80% das seguradoras pesquisadas têm IA implantada, e a entidade afirma que todas têm projetos na área. O dado cobre seguradoras, não corretoras.

Qual o primeiro passo para uma corretora adotar IA?

Mapear o uso que já existe, escolher um processo com indicador claro e definir regras para dados de clientes antes de ampliar o uso.

Quais os riscos de usar IA em uma corretora?

Vazamento de dados pessoais de segurados, informação errada sobre cobertura passada ao cliente e dependência de ferramentas sem contrato. Todos são controláveis com política, revisão humana e capacitação.

IA melhora a receita de corretoras e seguradoras?

O dado disponível é de seguradoras: 84% relataram aumento de receita de até 1%. O ganho, por ora, é mais de produtividade do que de receita.

Conclusão

A IA chegou ao mercado segurador pela seguradora, mas a corretora que espera ficará com as ferramentas dos outros e sem capacidade própria. O caminho mais seguro é começar por um processo, medir, proteger os dados e capacitar a equipe. Para desenhar esse primeiro passo com a sua operação, marque o diagnóstico gratuito da Jetpacks, uma conversa de 30 a 45 minutos, ou monte o business case para a liderança.

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