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Adoção & ROI

Adoção de IA na indústria de papel e celulose no Brasil

Adoção de IA na indústria de papel e celulose: o que Suzano e Klabin já fazem, onde o retorno aparece e como priorizar dados, governança e escala.

A adoção de IA na indústria de papel e celulose brasileira avança por casos concretos de operação e manutenção, e não por uma transformação setorial medida: não existe, até onde pesquisamos, uma pesquisa nacional que diga quantas empresas do setor já usam IA. O que há são projetos documentados das líderes — a Suzano com assistentes de IA generativa em fábrica e em suprimentos, a Klabin com governança de dados e IA como fundação — num setor que, segundo a Ibá, tem carteira de novos investimentos acima de R$ 105 bilhões até 2028. Este artigo é para o C-level de empresas de celulose, papel, embalagem e florestal que precisa decidir onde a IA já tem evidência de retorno e o que precisa estar pronto antes de escalar.

O panorama: setor intensivo em capital, dados e processo contínuo

Celulose e papel é uma indústria de processo contínuo, com ativos caros, paradas custosas e cadeia que vai da floresta à fábrica. Isso cria um terreno natural para IA — muitos sensores, muita operação repetitiva, muito conhecimento tácito nos operadores — e, ao mesmo tempo, um risco: a automação sobre processo mal desenhado só acelera o problema.

O contexto de investimento ajuda a entender a urgência. O relatório anual 2024 da Ibá registra uma carteira de novos investimentos que já ultrapassa R$ 105 bilhões até 2028, com novas fábricas, ampliação de plantas e obras de logística. Fábricas novas nascem com a chance de projetar dados e processos desde o início; fábricas existentes precisam atualizar o que já têm. Em ambos os casos, a decisão de IA entra na mesma conversa do capex.

Uma ressalva de método: o que se segue são casos publicados por empresas e veículos, não uma amostra representativa do setor. Os números de cada caso valem para aquele caso.

O que as líderes já fazem

Suzano: conhecimento operacional na ponta com IA generativa

Em Três Lagoas (MS), a Suzano construiu com a Microsoft a solução "Ana Maria", baseada em IA generativa sobre o Azure OpenAI Service e integrada ao Teams. Segundo o relato da Microsoft, a ferramenta apoia as equipes de operação e engenharia no digestor: o operador descreve uma falha no chat e recebe orientação, em vez de procurar manualmente em manuais. A implantação começou em junho de 2023; em março e abril de 2024 ganhou automações, como consulta a bases ligadas ao sistema do digestor, análises estatísticas e relatórios de diagnóstico. O treinamento de novos profissionais no processo de cozimento caiu 15 horas. A Suzano afirma que dados e interações permanecem no ambiente interno e não treinam modelos públicos, e planejava expandir a ferramenta a outras áreas e unidades.

O número a observar é pequeno e honesto: 15 horas de onboarding. Ganhos de produtividade e de precisão no diagnóstico foram relatados, mas sem cifra no material consultado.

Suzano: suprimentos e manutenção com linguagem natural

Em outro caso, a Suzano lançou em maio de 2024 o "Vagalúmen", chatbot sobre o framework Cortex do Google Cloud. Segundo a matéria do Baguete de setembro de 2024, o colaborador pede itens de MRO (manutenção, reparo e operação), como parafusos e porcas, por pergunta em linguagem natural, e a ferramenta consulta o estoque das unidades industriais. O tempo de busca de material caiu 95%, de dois minutos para oito segundos; no primeiro período foram 4 mil acessos de 473 usuários únicos, com expectativa de chegar a 6 mil usuários.

A lição é a distância entre desenho e uso: a ferramenta suportava 6 mil usuários e, nos primeiros meses, tinha 473. Medir adoção real é parte do caso de negócio — tema do artigo sobre métricas de adoção de IA.

Floresta: IA combinada a sensores e satélite

Na frente florestal, a Suzano combina IA com sensores e monitoramento por satélite para reduzir perdas, conforme reportagem da CNN Brasil. O material não traz métrica de resultado, então trate como direção de investimento, não como evidência de retorno. O setor florestal e o agronegócio compartilham desafios; veja também a adoção de IA no agronegócio brasileiro.

Klabin: o argumento de governança primeiro

No podcast Blue Mic da KPMG, o responsável por governança, arquitetura de TI e IA da Klabin, Luiz Carlos Martinez, defende que o entusiasmo de mercado muitas vezes se concentra em capacidade computacional sem objetivo claro, e que é preciso definir métrica e problema antes de investir. Para ele, a governança é a base dos projetos de IA, assentada em processos e dados, e o valor da tecnologia está diretamente ligado à qualidade dos dados — conforme o episódio da KPMG. O episódio não traz números; vale como declaração de método do responsável pela área, não como resultado medido.

Onde o retorno tende a aparecer

Combinando os casos com a lógica de processo contínuo, três famílias de uso concentram a evidência e a plausibilidade de retorno:

Frente Exemplo no setor Tipo de ganho Pré-requisito
Conhecimento operacional Assistente de diagnóstico no digestor (Suzano) Onboarding mais rápido, decisão mais consistente Manuais, históricos e ocorrências organizados
Suprimentos e manutenção Busca de itens MRO em linguagem natural (Suzano) Tempo de consulta menor Cadastro de materiais limpo e integrado ao ERP
Floresta e logística Monitoramento por sensores e satélite Menos perdas (sem cifra publicada) Dados de campo e integração entre áreas

O padrão: os casos mais bem documentados são de apoio a pessoas (consultar, diagnosticar, buscar), não de automação total de decisão. Isso tem lógica de risco: em processo contínuo, uma recomendação errada que a pessoa valida custa menos do que uma ação autônoma errada. Para o desenho do nível de autonomia, veja human-in-the-loop em IA.

O que precisa estar pronto antes de escalar

O argumento da Klabin é, na prática, uma lista de pré-condições:

  1. Problema e métrica definidos. Qual decisão muda e como o ganho será medido? Sem isso, o piloto vira demonstração. O roteiro está em como desenhar um piloto de IA.
  2. Dados confiáveis e acessíveis. Cadastros, históricos de manutenção e ocorrências costumam estar fragmentados; veja governança de dados para IA.
  3. Processo desenhado antes da tecnologia. Automatizar um fluxo ineficiente acelera o retrabalho.
  4. Segurança e confidencialidade. Know-how de processo é ativo estratégico; a decisão da Suzano de manter dados e interações em ambiente interno ilustra a preocupação. O risco de vazamento por uso de ferramentas externas é tratado em shadow AI.
  5. Pessoas capacitadas. Operador, engenheiro e comprador precisam saber quando confiar e quando contestar a saída da ferramenta.

A ausência desses cinco itens é a causa recorrente descrita em por que projetos de IA falham.

Como o C-level deve priorizar

Uma sequência pragmática para uma fábrica ou grupo:

  • Comece por conhecimento e suprimentos. São casos com menor risco operacional, ganho mensurável (tempo de consulta, tempo de onboarding) e dados em geral mais acessíveis do que os do processo em si.
  • Defina o baseline antes do piloto. Sem a medida de "antes", 95% menos tempo de busca é só uma frase bonita. Use a lógica de ROI de inteligência artificial.
  • Limite a autonomia no início. Recomendação com validação humana, depois escopo ampliado conforme a evidência.
  • Planeje a adoção, não só a ferramenta. Um sistema com capacidade para 6 mil usuários e 473 acessos mostra que a mudança de hábito é o gargalo — assunto de gestão de mudança na adoção de IA.
  • Compare com a indústria em geral. O quadro mais amplo está em adoção de IA na indústria brasileira, e o caso vizinho da mineração mostra desafios parecidos de ativos pesados e operação contínua.

Para organizar o plano completo, o pilar como implementar IA na empresa detalha a sequência de decisões.

FAQ

Qual o nível de adoção de IA na indústria de papel e celulose brasileira?

Não há, nas fontes que consultamos, pesquisa setorial nacional com percentual de adoção. O que existe são casos documentados de empresas líderes, como Suzano e Klabin, que não representam o setor inteiro.

Quais são os usos de IA mais comuns em fábricas de celulose?

Os casos documentados concentram-se em assistentes para diagnóstico e conhecimento operacional, consulta de suprimentos e materiais de manutenção em linguagem natural, e monitoramento florestal com sensores e satélite.

A IA generativa funciona em ambiente industrial?

Funciona em tarefas de apoio ao conhecimento, como localizar trechos de manuais, recuperar registros de problemas parecidos e gerar relatórios, desde que com dados internos protegidos e validação humana. O caso da Suzano em Três Lagoas é um exemplo.

Qual ganho concreto já foi relatado?

No caso do "Vagalúmen", a busca de materiais caiu de dois minutos para oito segundos (95%); na "Ana Maria", o treinamento de novos profissionais no cozimento caiu 15 horas. São números de casos específicos.

Por onde uma empresa média do setor deveria começar?

Por um problema com métrica clara e dados acessíveis, como busca de materiais ou consulta a manuais, com baseline medido e validação humana. Depois, expandir conforme a evidência.

Conclusão: a vantagem está em dados e método

Na indústria de papel e celulose, a evidência pública de IA está em apoio à operação e a suprimentos, com ganhos medidos em horas e segundos, e em um discurso de governança que antecede a tecnologia. O C-level que quer capturar esse retorno precisa de problema definido, dados em ordem e adoção planejada. Se sua empresa quer mapear onde a IA tem mais chance de dar retorno e o que falta preparar, comece com o diagnóstico gratuito da Jetpacks — uma conversa de 30 a 45 minutos — e monte o business case para a liderança.

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