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Adoção & ROI

Adoção de IA nas empresas brasileiras: os dados de 2026

Adoção de IA nas empresas brasileiras em números: 17% já usam, 50% das grandes empresas, mas 72% ainda no estágio inicial — os dados para seu business case.

A adoção de IA nas empresas brasileiras chegou a 17% em 2025, contra 13% em 2024 — o maior salto desde que a pesquisa TIC Empresas do Cetic.br começou a medir o indicador, em 2021. Entre as grandes empresas, a adoção já passa de metade: 50%, ante 38% no ano anterior. Este artigo reúne os números mais recentes e citáveis sobre adoção de IA no Brasil — por porte de empresa, tipo de uso e estágio de maturidade — para quem precisa montar um business case, comparar a própria empresa com o mercado ou simplesmente entender se o discurso sobre IA já virou prática.

Quantas empresas brasileiras já usam IA, segundo os dados mais recentes

O retrato mais robusto vem da pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), que entrevistou 4.174 organizações com mais de dez funcionários entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026 — telefonicamente, com recorte por porte, região e setor. Segundo o release oficial do Cetic.br, o indicador central é:

Ano % de empresas brasileiras usando IA
2024 13%
2025 17%

Quatro pontos percentuais podem soar pouco, mas é o maior avanço anual desde o início do monitoramento em 2021 — e o crescimento não é uniforme: ele se concentra fortemente nas empresas de maior porte.

Adoção de IA por porte de empresa: onde o crescimento está concentrado

Porte da empresa 2024 2025
Grandes empresas (250+ funcionários) 38% 50%
Pequenas empresas (10–49 funcionários) 10% 15%

As pequenas empresas representam 87% da população-alvo da pesquisa, o que explica por que o indicador nacional (17%) fica bem abaixo do das grandes empresas (50%). Na prática, isso quer dizer duas coisas para quem está montando estratégia: a adoção de IA já é maioria entre grandes empresas — não é mais um diferencial, é linha de base competitiva — e o gap entre grande e pequena empresa está aumentando, não diminuindo, ano a ano.

O que as empresas brasileiras estão usando, na prática

O tipo de IA mais adotado também mudou de perfil entre 2024 e 2025, segundo o mesmo levantamento do Cetic.br:

  • Mineração de texto e análise de linguagem escrita: de 33% para 38% das empresas que usam IA.
  • Geração de linguagem natural (GLN) — produção de textos, respostas automatizadas, comunicações — de 20% para 30%: o maior salto entre as categorias, e o que mais se relaciona com o uso cotidiano de IA generativa por colaboradores.

Por método de implementação, 80% das empresas adquiriram software pronto e 60% contrataram fornecedor externo para desenvolvimento ou adaptação. Entre as grandes empresas, o desenvolvimento interno também cresceu — de 24% para 37% — sinal de que quem já está mais maduro está internalizando capacidade, não só comprando licença.

Por setor, o salto mais expressivo apareceu em Hospedagem e Alimentação (mineração de texto foi de 13% para 51%) e em Artes, Cultura, Esporte e Recreação (de 14% para 40%) — setores historicamente pouco associados à tecnologia, o que reforça que a adoção deixou de ser exclusividade de tech e financeiro.

O outro lado do número: 72% das empresas ainda no início

Adoção não é sinônimo de maturidade — e é aqui que o dado mais citado em manchete engana quem não olha o estágio. Uma pesquisa da Abiacom (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce), em parceria com a Brazil Panels e a escola de negócios Lideres.ai, com 200 profissionais entrevistados entre outubro e novembro de 2025, encontrou que 72% das empresas brasileiras estão nos estágios iniciante ou experimental de adoção de IA, segundo reportagem da Exame.

O mesmo estudo traz outros dois números que qualquer diretoria deveria levar em conta antes de acelerar o investimento:

  • 47,4% dos profissionais usam ferramentas de IA sem aprovação oficial da empresa — o fenômeno conhecido como shadow AI, sintoma direto da ausência de política de uso.
  • 59,1% das empresas não têm diretrizes formais para o uso de IA.

A leitura correta desses dois conjuntos de dados juntos: a adoção está crescendo mais rápido do que a maturidade e a governança — a maioria das empresas que "usa IA" hoje está fazendo isso de forma exploratória, sem processo nem controle formal. É o mesmo padrão que detalhamos em riscos da IA generativa nas empresas e no guia de governança de IA na prática.

Por que a adoção não vira retorno mensurável na maioria das empresas

Usar IA e capturar retorno de IA são coisas diferentes — e o gap entre os dois é onde a maior parte do orçamento brasileiro de IA se perde hoje. Segundo o Panorama IA 2025 da TOTVS, pesquisa com 194 empresas brasileiras de portes variados, apenas 7% das empresas que investem em IA conseguem demonstrar retorno mensurável. Detalhamos os números completos de produtividade e o porquê desse gap em produtividade com IA generativa: o que os dados mostram e em ROI de IA: como medir o retorno da capacitação.

Três fatores explicam consistentemente por que a adoção emperra antes de virar resultado:

  1. Falta de formação estruturada. A EY encontrou que 38% dos empregadores apontam a falta de formação dos profissionais como a maior barreira à adoção — à frente de custo ou limitação técnica.
  2. Resistência cultural, não tecnológica. Um levantamento da Prosci com 1.107 profissionais, repercutido pelo TI Inside, encontrou que 63% dos desafios na adoção de IA nas empresas têm origem em fatores humanos — detalhamos o tema completo em gestão de mudança na adoção de IA.
  3. Ausência de métrica desde o início. Sem linha de base medida antes do treinamento, a empresa não tem como provar ganho depois — só relatar sensação. O conjunto de indicadores certo está em métricas de adoção de IA: o painel que a diretoria precisa.

Essas três causas, junto com as demais, estão detalhadas em por que projetos de IA falham (e como evitar cada causa).

Como usar esses dados no seu business case

Números de mercado só têm valor em um business case quando comparam a situação da própria empresa contra o cenário setorial, não quando são citados soltos. Um roteiro prático:

  1. Posicione sua empresa na tabela de porte. Se você é uma grande empresa e ainda não passou de uso exploratório, está atrás dos 50% que já adotaram — não dos 17% do indicador nacional, que mistura todos os portes.
  2. Separe adoção de maturidade. Citar "17% das empresas já usam IA" é fraco como argumento; citar que 72% delas ainda estão em estágio inicial é o argumento mais forte para propor um programa estruturado, não mais uma licença isolada.
  3. Conecte o dado de shadow AI ao risco, não só à oportunidade. Os 47,4% de uso sem aprovação e os 59,1% sem diretrizes formais são argumento direto para incluir governança no mesmo orçamento da capacitação — não como item separado depois.

O passo a passo completo de como estruturar esse documento para aprovação está em business case de IA: como montar e aprovar o investimento, e a visão geral de como sair do diagnóstico até a adoção medida está no guia central deste hub, como implementar IA na empresa: da estratégia à adoção.

FAQ

Quantas empresas brasileiras usam inteligência artificial?

Segundo a pesquisa TIC Empresas 2025 do Cetic.br, 17% das empresas brasileiras com mais de dez funcionários usam IA — alta em relação aos 13% de 2024. Entre as grandes empresas (250+ funcionários), a adoção chega a 50%.

Qual o percentual de empresas brasileiras que ainda não usa IA de forma madura?

Segundo pesquisa da Abiacom com a Brazil Panels e a Lideres.ai, 72% das empresas brasileiras que já usam IA estão nos estágios iniciante ou experimental — ou seja, a maioria da adoção registrada ainda não chegou a um processo maduro e estruturado.

Qual tipo de IA as empresas brasileiras mais usam?

Mineração de texto e análise de linguagem escrita (38% das empresas que usam IA) e geração de linguagem natural — usada para produzir textos e comunicações automatizadas —, que saltou de 20% para 30% entre 2024 e 2025, o maior crescimento entre as categorias medidas pelo Cetic.br.

Qual a diferença de adoção de IA entre grandes e pequenas empresas no Brasil?

É significativa e está aumentando: 50% das grandes empresas (250+ funcionários) já usam IA, contra 15% das pequenas (10–49 funcionários), segundo o Cetic.br. O gap cresceu em relação a 2024, quando era de 38% contra 10%.

Empresas brasileiras que usam IA conseguem medir o retorno do investimento?

A minoria. Segundo o Panorama IA 2025 da TOTVS, apenas 7% das empresas brasileiras que investem em IA conseguem demonstrar retorno mensurável — a maioria não estabeleceu métrica antes de adotar a ferramenta, então não tem como provar impacto depois.

O que é shadow AI e qual o tamanho do problema no Brasil?

Shadow AI é o uso de ferramentas de IA por colaboradores sem aprovação ou supervisão da empresa. Uma pesquisa da Abiacom encontrou que 47,4% dos profissionais brasileiros usam ferramentas de IA sem aprovação oficial, e 59,1% das empresas não têm diretrizes formais de uso — uma lacuna de governança que cresce junto com a adoção.

Conclusão: o número que importa não é a manchete, é o estágio

A adoção de IA nas empresas brasileiras está em alta real — 17% em 2025, com 50% entre as grandes empresas — mas o dado que deveria orientar o próximo investimento não é esse: é que 72% da adoção registrada ainda está em estágio inicial ou experimental, sem processo, métrica nem governança formal. A diferença entre estar nos 17% que "usam IA" e estar entre os poucos que capturam retorno mensurável é método, não sorte. Se sua empresa quer sair do estágio exploratório com um diagnóstico claro de onde está e onde priorizar, o primeiro passo é o diagnóstico gratuito da Jetpacks — 30 a 45 minutos para mapear a maturidade real da sua operação frente a esses números.

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